O tema foi alvo de muitas reflexões recentemente. A oportuna
ocasião do Ano da Fé, no cinquentenário de abertura do Concílio Vaticano,
colocou em evidência o assunto. Diversos encontros e documentos (com destaque para a Porta Fidei e a Lumen Fidei) refletiram
sobre o dom da fé, priorizando um aspecto fundamental o "ato de fé" o
"ato de crer".
O foco foi definido na luminosa Carta Apostólica Porta Fidei
( "Porta da Fé"), proclamação do ano da Fé. Ali, Bento XVI enfatizou
a necessidade de reavivar a alegria do encontro com Cristo numa sociedade em
que os valores cristãos estão ameaçados, esquecidos ou colocados em segundo
plano. "Sucede não poucas vezes que os cristãos sintam maior preocupação
com as consequências sociais, culturais e políticas da fé do que com a própria fé,
considerando esta como um pressuposto óbvio da sua vida diária", diz o
Santo Padre.
A destruição do um "tecido cultural unitário" em
que a fé é pressuposta, a ruína da civilização ocidental identificada com a
civilização cristã, leva o anúncio do Evangelho a novos desafios, novas
situações. Não podemos abordar temas pressupondo a fé em nossos interlocutores
( esse aspecto merece horas de conversa). A partir disso, é proposto no Ano da
Fé um Sínodo sobre a Nova Evangelização.
As duas metas do Ano da Fé – refletir sobre o “ato de crer”
e sobre a evangelização- são balizadas pelo Concílio Vaticano II e pelo Catecismo
da Igreja Católica. E aqui podemos entender que a proposta do Ano da Fé foi
redescobrir a alegria da Fé e vivê-la segundo o Concílio Vaticano II.
E o que é a Fé e o que significa vivê-la segundo o Concílio
Vaticano II? Retiro duas esclarecedoras respostas de uma catequese do Papa JoãoPaulo I:
I.
Referindo-se implicitamente a dois conceitos
teológicos ( fides qua e fides quae) diz o Papa que a Fé “ não se
trata unicamente de crer nas coisas que Deus revelou mas n'Ele, que merece a
nossa fé, que tanto nos amou e tanto fez por amor de nós”.
II.
João Paulo I explica palavras de João XXIII: “Eu
estava presente quando o Papa João abriu o Concilio a 11 de Outubro de 1962. A
certa altura disse: Esperamos que, devido ao Concílio, a Igreja dê um salto
para diante. Todos esperámos; mas salto para frente, para qual estrada?
Explicou-o logo a seguir: sobre as verdades certas e imutáveis. Não pensou
sequer que fossem as verdades a caminhar, a andar para frente, e depois pouco a
pouco a ir mudando. As verdades são aquelas determinadas; nós devemos andar
pela estrada dessas verdades — compreendendo-as embora cada vez mais, atualizando-nos,
propondo-as de forma que se adapte aos novos tempos.